UNIVERSO JUDAICO · POR ILAN NIGRI

Rosh Hashaná

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Rosh Hashaná

1 e 2 de TishreiRosh Hashaná é o ano novo judaico e o Yom Hadin, o Dia do Julgamento. Celebrado em 1 e 2 de Tishrei, marca a mudança do número do

אIlan Nigri4 min de leitura · Fontes judaicas

1 e 2 de Tishrei

Rosh Hashaná é o ano novo judaico e o Yom Hadin, o Dia do Julgamento. Celebrado em 1 e 2 de Tishrei, marca a mudança do número do ano e inaugura os Dez Dias de Teshuvá, que culminam em Yom Kipur. Na tradição judaica, o início do ano é vivido com oração, responsabilidade e confiança na possibilidade de renovação.

A Mishná ensina que, em Rosh Hashaná, todos os habitantes do mundo passam diante de Deus. O horizonte do dia, portanto, vai além de Israel: envolve a humanidade inteira. Cada vida e cada ação têm importância. Esse julgamento é apresentado em linguagem religiosa; ele não oferece uma maneira de deduzir o mérito ou a culpa de alguém a partir dos acontecimentos de sua vida.

Por que o ano novo acontece no sétimo mês

A Torá conta os meses a partir de Nissan, o mês da saída do Egito. Por isso, ao falar de Rosh Hashaná, chama Tishrei de sétimo mês. A Mishná distingue diferentes começos de ano para diferentes finalidades: primeiro de Nissan para reis e festas; primeiro de Tishrei para os anos e outros ciclos. Assim, Nissan é o primeiro mês, enquanto a mudança do ano ocorre em Tishrei.

Na linguagem da tradição, a festa também se relaciona à criação do mundo e à criação do ser humano. O aniversário do mundo não é apenas uma lembrança do passado: coloca em pauta o propósito da existência e a responsabilidade de participar da criação por meio de nossas escolhas.

Julgamento, lembrança e realeza

Os nomes e temas da festa se completam. Yom Hadin destaca o julgamento; Yom Hazikaron, a lembrança diante de Deus; Yom Teruá, o toque do shofar. Malchuyot, Zichronot e Shofarot, as três grandes seções de Mussaf, articulam essas ideias. Reconhecer Deus como Rei significa admitir que a vida responde a um horizonte ético maior que os próprios interesses.

O que desperta o shofar

Os sons do shofar interrompem a fala habitual e chamam à escuta. A tradição relaciona o chifre de carneiro à Akedat Yitschac, o episódio da ligação de Isaac, lembrado na leitura do segundo dia. A mitsvá central é ouvir os toques segundo suas regras, e não apenas assistir a uma apresentação musical.

A solenidade convive com refeições festivas e votos de um ano bom e doce. Os simanim dão expressão aos desejos para o futuro, enquanto a teshuvá convida a transformá-los em atitudes possíveis. A festa reúne a consciência de que nossas ações importam e a esperança de um novo começo.

Fontes para compreender a data

Vayicrá 23:24

זִכְרוֹן תְּרוּעָה מִקְרָא קֹדֶשׁ

“Uma lembrança marcada pelo toque, uma convocação sagrada.”

O versículo apresenta a data da Torá por meio do descanso, da santidade e da teruá. O nome Rosh Hashaná e sua formulação como início do ano são desenvolvidos na tradição dos sábios.

Mishná Rosh Hashaná 1:1

בְּאֶחָד בְּתִשְׁרֵי רֹאשׁ הַשָּׁנָה לַשָּׁנִים

“Em primeiro de Tishrei, o ano novo para os anos.”

Esse é o marco da contagem dos anos, embora a numeração dos meses comece em Nissan.

Mishná Rosh Hashaná 1:2

בְּרֹאשׁ הַשָּׁנָה כָּל בָּאֵי הָעוֹלָם עוֹבְרִין לְפָנָיו כִּבְנֵי מָרוֹן

“Em Rosh Hashaná, todos os habitantes do mundo passam diante Dele como benei maron.”

A expressão benei maron recebe diferentes explicações no Talmud, ligadas à passagem individual. O trecho sustenta a dimensão universal do Dia do Julgamento.

Mitsvot e observâncias

  • Ouvir o shofar durante o dia, nos dois dias da festa; não se toca no dia que coincide com Shabat. A obrigação bíblica é do primeiro dia, e a do segundo é rabínica.
  • Observar as leis de Yom Tov nos dois dias, também em Israel; acender velas nos horários e condições adequados, fazer Kidush e as refeições festivas.
  • Recitar as orações próprias, incluindo Mussaf com os temas da realeza divina, da lembrança e do shofar.

Costumes e formas de participação

  • Comer os simanim, alimentos simbólicos como maçã com mel, tâmaras e romã, conforme o costume familiar.
  • Realizar Tashlich junto à água, no momento adotado pela comunidade; a prática pode ser adiada quando coincide com Shabat.
  • Desejar um ano bom e doce e acrescentar tsedacá antes da festa.

Para compreender a prática A escuta do shofar é uma mitsvá vinculada ao tempo: mulheres são isentas na halachá tradicional, mas muitas a cumprem; a bênção segue o costume da comunidade.

Outras referências e leituras

Torá: Vayicrá 23:23–25; Bamidbar 29:1–6 · Sefer HaTodaá em seleção didática no Daat

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