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Uma relação que também impõe deveres
Na Torá, a terra não é apenas um cenário onde as mitsvot acontecem. Sua vida agrícola, o cuidado com os vulneráveis e a organização do tempo entram na aliança. Morar nela envolve obrigações, não somente uma afirmação de posse.
Vayikrá 26 descreve o exílio como ruptura e conserva a lembrança da aliança e da terra. Devarim 30 articula retorno a Hashem, reunião dos dispersos e volta à terra. A dispersão não encerra a relação entre povo, Torá e lugar.23
O que essa leitura permite afirmar?
Essas passagens são fontes centrais da compreensão judaica de sua história. Não são programas de um partido moderno nem estabelecem, sozinhas, a forma de cada instituição política futura.
Também não sustentam a ideia de que a identidade judaica teria conservado apenas uma religião sem ligação territorial. A terra participa da narrativa de origem, da responsabilidade e da esperança de reconstrução.
É essa estrutura que interessa ao começo do percurso. A história dos reinos e dos exílios foi desenvolvida nas coleções anteriores. Aqui, acompanhamos o que as fontes transmitiram às gerações: pertencer ao povo de Israel significava receber uma história em que a terra continuava presente, inclusive quando a vida acontecia longe dela.