UNIVERSO JUDAICO · POR ILAN NIGRI

O retorno de Bavel: quem voltou e quem ficou?

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Retornar e reconstruir · AMOSTRA ABERTA

O retorno de Bavel: quem voltou e quem ficou?

Quando uma possibilidade de retorno se abre, uma comunidade não se desloca inteira de uma vez. Essa é uma chave para compreender a passagem do exílio de Bavel à reconstrução de Jerusalém. Ezra descreve a autorização persa para voltar e reconstruir o Templo; o próprio relato apresenta pessoas que partem e outras que apoiam a viagem sem integrá-la.1

אIlan Nigri3 min de leitura · Fontes judaicas
Cilindro de argila com escrita cuneiforme encomendado por Ciro depois da conquista de Bavel
Cilindro de Ciro, 539 a.e.c., British Museum. O texto não nomeia Jerusalém ou os judeus. Foto de Mike Peel, 27 de junho de 2010 / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0.

A conquista da Babilônia por Ciro, em 539 a.e.c., mudou o poder na região. O governante persa procurou apresentar-se como restaurador de cultos e da ordem. A história judaica passou a se desenvolver dentro desse novo quadro imperial.2

Um cilindro ajuda a entender o contexto

O Cilindro de Ciro registra a conquista de Bavel e medidas de restauração de santuários e de populações. O documento não menciona os judeus ou Jerusalém. A autorização específica para a reconstrução judaica é relatada em Ezra; o cilindro permite observar a linguagem política e religiosa usada pelo poder persa.2

Isso dá a cada fonte seu lugar. A narrativa de Ezra acompanha o destino da comunidade e interpreta o retorno dentro da relação com Hashem. A inscrição real apresenta a ação do governante segundo seus próprios interesses e sua forma de legitimar o poder.

Voltar exigia reconstruir mais que paredes

Segundo Ezra, o altar foi restabelecido antes da conclusão do novo Templo. A comunidade precisava reorganizar o culto enquanto lidava com recursos limitados e oposição. A reconstrução enfrentou interrupções e foi retomada antes da conclusão do edifício, no reinado de Dario.34

O texto guarda uma cena de emoções diferentes: na instalação dos fundamentos, havia pessoas celebrando e outras chorando ao lembrar o Templo anterior. Voltar ao mesmo lugar não significava recuperar imediatamente o mundo perdido.3

A vida continuava também em Bavel

Tabuinhas cuneiformes conhecidas como documentos de Al-Yahudu registram atividades econômicas de judeanos na Mesopotâmia nos séculos VI e V a.e.c. Parte desses documentos é posterior à abertura persa ao retorno. Famílias continuavam a trabalhar e organizar sua vida fora de Yehudá.5

O conjunto veio do mercado de antiguidades, sem um contexto de escavação documentado. Essa limitação de procedência precisa acompanhar seu uso; não apaga o conteúdo dos textos, mas impede tratar o local e as circunstâncias de descoberta como conhecidos.5

O Segundo Templo começava, portanto, com uma realidade que permaneceria importante: um centro em Jerusalém e comunidades fora da terra. Retorno e diáspora passariam a coexistir dentro da história do mesmo povo.

Fontes e documentos deste artigo
  1. Tanach — Ezra 1; autorização de retorno e apoio dos que permaneceram
  2. The Metropolitan Museum of Art — The Cyrus Cylinder and Ancient Persia; 539 a.e.c., política de restauração e relação com Ezra
  3. Tanach — Ezra 3; altar, fundamentos e reações da comunidade
  4. Tanach — Ezra 6; retomada e conclusão da construção
  5. University of Hamburg, Centre for the Study of Manuscript Cultures — The archives of some Judeans deported to Babylon, 2015; conteúdo, datas e procedência dos documentos
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